19/05/08

Do Lado de Cá da Vida


Assumo sem pudores minha fome de beleza em tudo. No amor. No sexo. Na amizade. Na poesia. Na prosa. Na vida! Confesso também minhas ternuras e minhas invejas. Em ambas, pouco me importo se vão me achar clichê demais. Eu sou o que sou até aqui... até me transformar em outro algo melhor, logo mais ali a diante. E assim vou vivendo.


Esse fim de semana, vivi emoções diversas. Alegria. Raiva. Dor (nos pés e no coração) Aconchego. Amor.


Disfarçar sentimentos é algo que não sei fazer. É um trabalho de Hércules. E admito que não sou a versão feminina dele. Não consigo dissimular o que sinto. Se sou assim na demonstração de alegria, imagine nos dissabores. Ele (ou eles) fica(m) claramente destacado(s) em meu rosto, que nunca finge.


Não quero que confundam alhos com bugalhos. Por isso, quero falar da emoção ímpar que vivi no último sábado.


Minha cidade em festa. Meu coração em alegria por receber pessoas especiais em minha casa. O sábado prometia. Show de Jota Quest. O sábado cumpriu tudo que prometeu e mais um pouco. Ganhei um presente: uma nova amizade. Uma pessoa indiscutivelmente linda por fora. E como se não bastasse ainda simpática, simples, educada e bonita por dentro também. Pronto, a amizade brotou e juntas aprontamos tudo que nos deu prazer em estar vivas.


Leniana é o nome dela. Juntas scaneamos o parque de Exposição e de camarote, assistimos e nos emocionamos com as músicas do Quest. Realmente é extremamente fácil ganhar meu coração. Só precisa de uma dose de educação misturada com um tiquinho de simpatia e bom humor. É... um dia feliz, às vezes, é muito raro porque nós complicamos tudo. Raras pessoas têm o dom de cantar junto e deixar o mau humor do lado de fora da vida.


Enquanto me acabava cantando e dançando, não pude deixar de me recordar da vida que foi para o lado de lá: meu marido Osmar. Lembrei do hospital onde passamos alguns meses em Belo Horizonte. Quando internado, ele sentia muita dor. Por amor, a dor dele se fazia minha também. Nesses momentos, tinha uma música do Jota Quest que sempre sussurrávamos juntos:

“Ei, dor! Eu não te escuto mais

Você não me leva a nada

Ei, medo! Eu não te escuto mais

Você não me leva a nada...

E se quiser saber

Pra onde eu vou

Pra onde tenha Sol

É pra lá que eu vou.”


(Essa música nos permitia expulsar o medo e amenizar a dor e, de alguma forma, nos fazia mais confiantes em um *final feliz para o nosso sofrimento.)

Ali, diante daquela multidão sem fim que erguia os braços e evocava a certeza de ir pra onde sol brilhava, me vi só. Paradoxal, não? Rodeada de pessoas, gritos, sons, sorrisos... eu conversava silenciosamente com alguém. Olhava a lua. Sorria e chorava. Literalmente. Não era um choro triste. Nem uma solidão doída. Foi um momento mágico. (Não sei se me entendem) Foi um momento de encontro. Encontro que me deixou feliz e consciente. Consciente de que do lado de cá, a vida segue. E do lado de lá, também. Cada um com seus compromissos. E nossas lembranças juntos continuarão bem guardadas no lugar onde vivem os melhores e bons sentimentos: o coração.

Aos poucos começo a entender que a vida está aí. Do meu lado. E ela não engana ninguém. Posso ouvi-la ou não. O preço a ser pago por isso será sempre meu. Lição aprendida, continuei a noite. Dancei tudo que tinha direito. Abracei pessoas muito queridas e declarei o amor e admiração que sinto por elas.


Saldo da noite. Depois de três ou quatro (será?) Frozzen, muita alegria, muita música, muita gente alegre, perdi e reencontrei meu carro. (Claro que ele estava estacionado exatamente no mesmo lugar... nem um centímetro a mais ou a menos.) E esbarrei nos primos de Leniana, minha nova amiga. E minha casa que já estava hospedando cinco, hospedou mais três pessoas. A noite terminou muito feliz. E o domingo começou em festa relembrando as gafes da noite anterior e combinando um novo encontro. Dessa vez, em Diamantina. Para o show de Victor e Léo, dia 30 de maio.


*final feliz: Geralmente acontece quando o mocinho e a mocinha terminam juntos. No meu caso, o meu mocinho se foi. Mas continuo feliz, pois essa sempre foi a nossa proposta de vida.

***

Pessoas Lindas,

A Blogagem Coletiva do dia 16/05 me oportunizou conhecer, (re) visitar e apreciar muitos lugares lindos desse Brasil maravilhoso. Mais uma vez, obrigada à Andréa pela oportunidade. Agradeço também a todos os comentários do post anterior.


De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. Também não é a mais difícil. Para mim, é uma questão de se permitir. E é isso que desejo pra mim e pra todos. O ato de se permitir enxergar além do horizonte um lugar, bonito e tranqüilo, pra se viver em paz.



***



Para a Shi, uma amiga MUITO QUERIDA, que aniversariou ontem, dia 18/05, desejo um belo horizonte de coisas boas, belas e felizes! Muita saúde e que a alegria continue sendo a medida de seus sonhos!!!


PARABÉNS, LINDONA!!!



***


Uma semana iluminada a todos!

Meu Beijo Karinhoso e Azul!

16/05/08

Curvelo, minha Terra Querida




“As lajes valem um conto
Cordisburgo vale um conto e cem
Mas Curvelo não tem preço
Porque lá mora o meu bem..”

Com grande alegria, apresento a vocês a terra onde nasci, Curvelo, coração das Minas Gerais, terra onde meu coração nasceu, cresceu e vive até hoje acreditando que todo dia é dia de ser feliz.

Curvelo é uma cidade pitoresca, interiorana, situada num grande chapadão na região central de Minas. O cerrado daqui nos premiou com uma paisagem sertaneja onde o Ipê Amarelo reina majestoso e encanta os olhos da alma do povo curvelano e de todos que nos visitam.

A pecuária constitui a principal atividade econômica de Curvelo, contudo o desenvolvimento do comércio e serviços também promove o crescimento da cidade.


A culinária daqui é envolvente e tipicamente mineira, cujo sabor, cheiro e modo de fazer trazem à mesa a singela herança sertaneja: tutu de feijão, arroz carreteiro, feijão tropeiro, couve, torresmo, angu, frango ao molho pardo, quiabo com carne moída, enfim, verdadeiras delícias que forram o estomago com gosto, tempero e sabor mineirinho.

Curvelo, município-mãe de todo esse sertão, "capital da minha literatura" foi assim classificada por João Guimarães Rosa e hoje é uma das 13 cidades do Circuito Guimarães Rosa. Circuito esse que é o primeiro turístico baseado em literatura e destinado a todos que querem ver no sertão mineiro, os cenários da vida e obra de Rosa.

Se existe um sinônimo para Curvelo, eu diria que é festa. Sim, minha terra tem festas de janeiro a dezembro. Todas elas regadas à muita alegria.

Em julho, digo eu, pretensiosamente, para comemorar meu aniversário, acontece o grande FORRÓ DE CURVELO. Promovido pela prefeitura durante três dias. Bonitas barracas, lindamente ornamentadas são armadas em praça pública com direito a shows com artistas nacionalmente conhecidos (em 2008, além de shows regionais, o Skank, dará o ar de sua graça e música). Há também concursos de música popular e muito forró para o pessoal arrastar o pé até o sol raiar. O Forró é um evento em âmbito estadual, envolvendo não só as cidades próximas, mas também trazendo turistas da capital, de cidades mais afastadas e até de outros estados.

Terra religiosa, aqui tem o Santuário - Basílica de São Geraldo, segunda no mundo e única na América do Sul dedicada a esse santo carismático que recebe todos os anos em agosto, uma grande manifestação de fé na famosa FESTA DE SÃO GERALDO.
Tal festa reúne um número muito grande de turistas, que demonstram sua confiança em São Geraldo e participam também da parte social da festa, parquinho para as crianças, barracas de comidas típicas e um grande camelôdromo onde o povo completa a alegria comprando de tudo por um preço bem convidativo.

Curvelo é a terra de Zuzu Angel, do ator
Ângelo Antônio, do músico PJ (Paulo Roberto Diniz Junior, Jota Quest), do escritor Lúcio Cardoso, do cartunista Alceu Penna e do jornalista André Carvalho, alguns avatares que nos orgulham por serem curvelanos.

Terra querida, terra onde vivo, onde trabalho, terra de joãos, marias, josés, anas, joaquins, geraldos, karines, terra de gente simples, terra de gente que ama e escreve a sua história dia-a-dia.

Creio eu que o que faz um determinado lugar bonito não são apenas as riquezas do local mas, sobretudo, o amor de cada um pelo pedaço de chão que chama de terra querida.

Eu poderia escrever muito mais sobre Curvelo, no entanto, prefiro convidar você para nos visitar.

Virtualmente, por aqui:
http://www.curveloportaldosertao.com.br/

Ou pessoalmente.

Curvelo é mais um pedacinho do Brasil que merece sua visita.
***
Pessoas Lindas,
Blogar coletivamente, para mim, é algo muito importante, além de nos integrar ainda mais nesse mundo virtual.
Agradeço à Andréa Motta por essa oportunidade. Parabéns pela idéia primorosa.
A todos um belíssimo fim de semana! O meu será festejado com a visita de familiares e amigos muito queridos que virão prestigiar a Exposição Industrial e Agropecuária de Curvelo (Viu? Mais uma festa da minha terrinha...)
Ah, só pra deixar vocês com água na boca: (risos)
Sexta: Edson e Hudson
Sábado: Jota Quest
Domingo: Bartucada
Até mais e um beijo muito gostoso!

09/05/08

Devaneios



Acordara às duas e vinte da madrugada. De certo, nem dormira. Passeavam em seus devaneios, pensamentos que estavam engasgados. Não desciam nem sob a pior tortura mental. Resolvera escrever. Falar de hipocrisia e que a sua também fosse julgada e quiçá compreendida.

Abre parênteses. O mundo todo já sabia que ela vivera um amor incomparável. Sabido era por todos que esse amor se fora, e, mesmo corroída pela dor, ela insistia. Todo mundo já sabia que ela, mais uma vez, quebrara a cara. Era público e notório para o planeta inteiro que ela era diferente, sonhadora. Metade dela era sonhos flutuantes, pois “tudo que é pesado flutua no ar”. A outra metade abominava a velada hipocrisia que pautava a vida daqueles que não tinham o menor vestígio de amor-próprio, imagine então, amor pelo outro.

O universo em sua conspiração a favor, é claro, sempre a colocava em situações oscilantes, daquelas em que a linha tênue entre sanidade e loucura era sacudida.

Em suas novas experiências, depois do espelho quebrado, ela continuava INTENSA como sempre fora, não obstante, muito mais sensível do que antes.

A radicalidade do oito ou oitenta permeava as boas e más situações vividas por ela. (Há que ser trabalhada.) Óbvio que isso era tema de duas, no máximo, três sessões de psicanálise. No exposto aqui, essa característica (a radicalidade) deve ser considerada na questão como positiva e pertencente à pessoas extremamente intuitivas e dotadas de uma inteligência rara e não provinciana.

No afã de viver o novo, ela se deparara com um hipócrita. Simples assim. Encantador, sedutor, inteligente, mas ainda assim, um hipócrita da melhor qualidade. (ou seria mais adequado pior?) Dúvidas à parte, nada ou ninguém poderia separar-lhe dessa condição primeira em seu sub ser.

Essa criatura, vamos denominá-la aqui, simplesmente de “Batráquio”, espécie de vertebrado de pele nua e sangue frio. (Essa definição é perfeita!) Ele chegou-lhe de modo não usual e pouco menos de três horas tornara-se concreto e real. Antes ela tivesse seguido sua intuição, que teimava e teimava em dizer que, sapo só se torna príncipe em contos de fadas, de resto, continuam apenas anfíbios.

Batráquio admirara a inteligência sublimar dela desde o primeiro momento e, usara isso, a seu favor. Lógico que os dotes físicos como o colo bem delineado (e muito elogiado), os olhos vibrantes, os seios fartos, as coxas grossas, a ingenuidade quase infantil (que fazia dela credora do mundo e, isso, inclui os hipócritas), os cartões de crédito e a “gorda” conta bancária contribuíram para toda aquela boa impressão que ela causara nele.

Um presente valioso. Palavras bem estudadas e decoradas a cada conquista. Aquele sorriso malandro e charmoso. O dedo nas cicatrizes do rosto e pulso. Tudo isso, fora um tiro certeiro que a permissividade carente dela, deixara chegar ao seu coração pálido.

Batráquio teria vivido mais uma noite de luxuria na cama de mais uma mulher. Tudo que é acordado, não implica em mágoas futuras. Pessoas adultas sabem (quase sempre) resolver seu tesão sem necessariamente usar os outros. A história poderia perfeitamente terminar aqui. Mas não, todo o febricitante episódio está no porvir...

Além de tudo que já fora dito sobre ele, Batráquio tinha um sério complexo de inferioridade, tinha que se auto afirmar constantemente, talvez o que lhe fora negado na altura física pudesse ser suprido dessa maneira infame, nem que fosse usando o tom alterado da voz machista e arrogante.

Não satisfeito com a noite pueril, ele compartilhou os anseios (particulares) dela com um amigo especial, que claro, quis se aproveitar do bocado também. A extraordinária besteira desses dois foi se fazer um, o oposto do outro.

O “m”alandro e o “b”onzinho não sustentaram a bela estória por mais de uma semana. Os pontos contraditórios foram descobertos por ela, que não seguira a brilhante carreira de detetive particular.

Engano desfeito, ela usou o jogo a seu favor. Se era para ser hipócrita, seria com “catiguria”. Deu corda. Ambos se enforcaram. O riso sarcástico aos colocá-los “amigavelmente” frente a frente foi a vitória-mor. Estava vingada. (Sim, ela é como todo ser passional, vingativo.) Pronto, estava encerrado.

Aprendera com o espelho a renascer das cinzas, como uma Fênix gloriosa que saía da roda viva. A tristeza fora passageira, e, por fim, uma pedra colocada sobre o túmulo daqueles dois indigentes.

***

Passados alguns dias, talvez dezesseis anos (não metafóricos), dezesseis anos estes, que não foram capazes de separar uma amizade, ela ouvira que Batráquio espalhara o boato de sua loucura.(a dela)

Humm... juntou-se fogo à pólvora insana!

Uma coisa é ser louca pela vida. Outra coisa é deixar a vida transformar tudo em hipocrisia.

Uma coisa é ser louca pela paixão, deixar a loucura do desejo de dar e receber prazer envolver todos os poros e transformar a vida em vermelho vivo. Outra coisa é deixar a paixão pelo dinheiro alheio e fácil, tesar as frases feitas.

Uma coisa é uma coisa. E outra coisa sempre vai ser outra coisa.

Nada causava rubor embaraçoso à sua face. Não precisava encobri-la com um chapéu de gangster da cor castor para empalidecer a vergonha do que não era obsceno. Ela não se envergonhara de nada. A não ser, ter aberto as portas fraternais de sua amizade sincera, a um hipócrita que se esconde sob o codinome de um relacionamento aberto.

O valioso e bombado cristal se quebrara em menos de um mês... durara até tempo demais.
E ela descobrira o segredo que viajara através dos trinta e dois anos para encontrá-la:

Ela é a autora.
Ela é que escreve a própria história.
Ela é a projetista de seus sonhos.
A caneta está em suas mãos.
Ela é a arquiteta de sua alma.
O resultado será sempre o que escolher.

... e a caneta dela resolvera escrever a sua intensa loucura pelo amor, verdadeiro e simples, puro e sincero, mas nunca hipócrita. Fecha parênteses.


Fizera a catarse. Podia voltar a dormir tranqüila. Não importava se a cara fora quebrada ou uma lágrima fujona dera o ar de sua graça. Qualquer coisa que seja resultado do amor já vale a vida.
O resto? É comentário. Especulação.
Ela sempre vive o amor e paga o preço que ele custar. De preferência deixa o troco, mas nunca finge que esqueceu a lição do espinho.

***

Pessoas Lindas,
(e isso não é hipócrita... é o que penso das pessoas que dispensam seu tempo lendo meus humildes escritos.)

Segundo o pai dos curiosos, a hipocrisia é o ato de fingir ter
crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando representar ou fingir.

Sim, assumo-me hipócrita em algumas situações. Mas sempre que me olho no espelho e vejo o rubor característico que me imputa vergonha de estar refletida ali, penso e procuro agir diferente.

Uma advogada linda, loira e lisa, a quem admiro muito, escreveu essa semana em seu blog (Linkado ali ao lado. Leia-se Veleidade) que existe uma grande diferença entre dizer, sentir e executar algo. Plagiando-a descaradamente, eu defendo o direito de todo mundo de criticar desafetos, ignorar a verdade e fazer do seu ponto de vista escroto uma verdade absoluta. Não vejo problemas nisso e me permito isso também. O problema é o danado do telhado de vidro que pode simplesmente se quebrar e tudo acabar num belo processo, né não? Risos

Portanto, cada louco com sua loucura. Sem hipocrisia. Melhor assim. Mais sábio assim.

Um fim de semana fabuloso para todos vocês!
Um feliz dia das Mães para todas as Mães de fato!

Beijo muito Karinhoso,

Ká (uma blogueira que pintou-se de vermelho para declarar ao mundo sua loucura pela vida!)

05/05/08

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena"

Imagem: Pedro Fernandes Photos

Num minuto, tudo era calmaria. Noutro, furacão. Tudo voou pelos ares. Seria impossível juntar os pedacinhos dela. O incrível é que escapara com vida. Apesar das roupas esfaceladas. Apesar dos surrados sapatos não caberem nos pés. Apesar das cicatrizes em todo o corpo (e na alma). Apesar de... todos os sonhos terem sido rasgados. E, jogados ao vento.

Saiu ferida... saiu machucada... Saiu em pedaços. Seus gemidos sempre sufocados. Só, extremamente só... Tropeçando no caminho. Tropeçando nas próprias pernas. À procura de proteção, abrigo. Em algum lugar devia haver um alento, capaz de curar as dores do vendaval.

Acabou... Tudo que a vida estava lhe dando era demais... O fardo muito pesado. Sempre acreditou que os sonhos são pra sempre. Desistir era o mais simples. Afinal, os sonhos se foram... E sua vida agora era um deserto.

...

Lembrou-se então das promessas. Feitas a dois. Feitas a três.

Por que não cumpri-las?

Acreditou-se capaz de seguir. Acreditou-se capaz de realizar. Percebeu assim que os sonhos dependem dela. Da sua vontade interior. Daquela vozinha que sempre tem algo a dizer. Mais uma vez, ia seguir...
Valia a pena insistir.

Pessoas,

Vale a pena insistir...

Sempre vale!

Mesmo quando encontramos muitos espinhos.

Meu Beijo Karinhoso,

27/04/08

Imagem

Como assim? Alto lá! Isso não está certo mesmo. Claro que você não sou eu. Ou melhor ainda, eu não sou você.

Ela dizia à imagem refletida naquele pequeno fragmento de espelho. Naquele contexto irreal, parecia que a imagem travava uma conversa com ela.

“Lógico que não. Sou apenas uma imagem.”

Ah, sim. Mas não deveria ser a “minha” imagem? A imagem de mim?

Não se conformava com a imagem que via. Era totalmente o avesso do que era. Seus olhos não eram mais vivos e amendoados. Eram foscos. O rosto revelava a frieza de quem não se importava mais com nada ou com ninguém. Os lábios não sorriam o sorriso aberto e feliz.

“Quem lhe garante que não sou?”

Não entendia mais nada. Uma hora estava latejando vermelho, noutra era aprisionada pela imagem do caco de espelho. Sim, o espelho continuava ali. Mesmo que em cacos.

Não, não é. Definitivamente você não é a minha imagem.

“Pois posso muito bem ser a imagem que você gostaria que eu fosse. Ou até mesmo a imagem que quer que eu seja. Como também posso não ser a imagem que você gostaria que a revelasse.”

Imagem filosófica? Em que espelho teria perdido minha face? Não resisto a tantos pontos. De interrogação.

“Rá.-rá, rá! Toda imagem é isso: simples e pura filosofia. Reflexo do eu, do outro, de como nos vemos ou gostaríamos de ser vistos. E antes que se questione mais: sim, eu leio seus pensamentos.”

No berço daquela solidão que durava vinte meses e sete dias, confundia-se entre realidade e fantasia. Ela acreditava mesmo que tinha criado uma companhia metafísica.

“Embarque. Aperte o sinto e vá em busca do reflexo perdido. Não perca mais tempo. Essa é a hora.”

Revestiu-se de força. Aquilo já tinha durado tempo demais e ela não conseguira chegar a lugar nenhum. Quem sabe não era mesmo o momento de reescrever o passado ao invés de aprisionar-se em sua própria imagem do passado? O que foi, o que vivera, o que deixara de viver... tudo isso estava lá atrás. E a vida continuava aqui, bem na frente. Bem na sua frente. E não parava para esperar ninguém. Ela passava atropelando quem estivesse distraído, afinal o acaso não protegia ninguém.

A dor lhe trouxera revolta. A revolta lhe mascarara descrente, apática, cética e até mesmo inconveniente consigo mesmo e, muitas vezes, com os outros. Ao longo de cada dia foi criando um mundo onde não havia lugar para nada ou ninguém. Via tudo sempre às avessas. Tudo no lugar errado. Sempre com pessoas erradas e na hora errada.

A “imagem” talvez estivesse ali para tirar a sua máscara, jogar em sua cara as coisas que estava guardando para si, como num velho museu empoeirado de heranças que vinham sedimentando, fermentando o fel que já foi mel.

Então, ela embarcou no velho trem da vida. Urgia revelar as esfinges do amor que vivera. Não dava mais para sonhar acordada, procurando os olhos que se apagaram e não iluminavam mais sua vida. Seu desejo infindável era arrancar a esperança de voltar a viver o passado. Isso dilacerava seu coração pálido.

Nas voltas do trem, descobriu que o amor não é imortal. Um dia ele chega, mas noutro vai embora. Mas ela ficara. Isso era imutável. Isso restringia entre parênteses a sua vida e seus anseios. A essência daquele amor cessara. Sim, tinha chegado ao fim. Em seu coração poderiam viver as lembranças. Mas as lembranças não poderiam nortear sua vida.

Na última estação, chovia lágrimas em seu olhar. Seu luto não podia se estender mais, sob pena de complicar, de vez, todo o seu futuro e, o pior, tornar seu presente inexoravelmente sem cor.

Entendeu por fim que a paixão era inevitável. Entendeu que viver em paixão era vital. Saiu do espelho. Cortou-se. Pingaram algumas gotas de sangue (vermelho vivo). Percebeu que a dor é necessária para se viver, para se sentir e para (se) amar. A imagem que se refletia agora era a sua. Não estava pronta e acabada. Estava em erupção. Pronta pra jorrar lava flamejante. Em vermelho, de preferência.
***

Pessoas lindas,

Para vocês, desejo uma semana intensamente linda e cheia de vida!

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata. "

Clarice Lispector

Beijos meus!

23/04/08

Vermelhou...

Ela sabia que o futuro é incerto, como é incerta a felicidade...

Tinha acordado cinza, sujeita a tempestades...

Vislumbrava o caminho que se abria e, sua vontade era ir... Sua vontade era navegar mares nunca antes explorados (por ela), buscar tesouros preciosos, reviver momentos gostosos, expurgar pesadelos reais...

Mas não adianta, tem que ser um passo, depois o outro. Uma coisa de cada vez. Tudo, tudo a seu tempo. Em seu compasso. Apressar ou delongar experiências não é o ideal.

Seu mundo de antes era povoado por pessoas especiais. Amigos daqui e dali. Pessoas que tinham o dom de tocar seu coração, de fazê-la sorrir e chorar. Refletir e repensar. Falar e agir. Renovar-se e viver... Não necessariamente nessa ordem.

Num dado momento, especificamente naquele em que o seus pés não tocavam mais o chão, que o mundo ruíra debaixo de sua prórpria cama, que seu umbigo deixou de ser o centro do (seu) universo e o redemoinho da vida fizera o maior de todos os furacões... nesse momento, tudo se perdeu. Os sons que antes animavam-lhe a caminhada, agora ressonavam, contudo seu coração não lhe devolvia o eco.

Até que... (todo conto que se preze, tem que ter um “até que...”) um pequeno e insólito raio de sol invadiu a pequena fresta da janela da sala de estar...
As nuvens começaram a clarear... o quebra-cabeça, com situações possíveis e claras, começou a se agrupar. As entrelinhas se escancaram. O ponto se fez quente, cheio de cor, de vida, de luz!!!

Ela percebeu uma oportunidade única. Ela se encantou. Ela sorriu. Pintou os lábios. De vermelho. Vermelho intenso. Cobriu-se de branco. Afinal sua “guerra era encontrar sua paz”... Latejou sentimentos aprisionados. Embriagou-se com alegria. Brilhou em amarelo. Encheu-se de verde. Os olhos da loba interior lhe devolveram o vigor da esperança.

Agarrou-se, com unhas e dentes. O tempo ruim devia ficar no passado. Agora, precisava celebrar com felicidade a magia da amizade, do bem querer, da paixão que teimava em brilhar em seus olhos. Sempre e apesar de tudo.
Tanto sacudiu, tanto esperneou, tanto desejou, tanto fez... que o espelho que a espreitava partiu-se em milhões de pedacinhos. Em cima do estilhaçado, ela caminhava. Sangrava. Não nos pés.

E isso não era ruim. Isso era um aviso intuitivo de que reagir era necessário. Era preciso A-COR-DAR!

Chega de apatia! A vida tem a cor que pintamos. Cada um pode construir seu próprio arco-íris. E a liberdade de escolha é o que torna a vida interessante. Ora assim, ora assado. Mas sempre do jeito que queremos, com as nuances que escolhemos.
Ela descobriu a verdade que a rodeava. Ela era inteira. Intensa. Ela se bastava sozinha. E isso não pode ser considerado egoísmo. Isso era apenas e somente a verdade.

Contudo e entretanto, ela gostava de ter alguém consigo. Do lado. Perto. Junto. Compartilhar era um remédio que necessitava. E, por isso, a sua alegria só estava completa quando podia DAR-COR à vida e caminhar de mãos dadas.

Era meio dia. A tempestade não viera. O tempo continuava nublado. Um frescor atípico dava um colorido à tarde que se anunciava. O almoço a esperava. Um sorriso a aguardava em casa. O mais lindo de todos. O mais compartilhado. Ela foi...

Tinha acordado cinza...
***
Pessoas,
Entrem sorrindo! Por favor!
A sua alegria quer dizer que você tem na alma: PAZ!!!
E no coração: AMOR!
Hoje, estou vibrando em AMOR! Vamos juntos?
ENTÃO... esse negócio de vibrar em amor, funciona, sabiam? Risos...
Sério mesmo. Hoje rebeci dois presentes.
Loba, querida... realmente incrível a "coincidência". Quis de maneira diferente lhe agradecer e ganhei mais ainda! Realmente o olhar de amigo é mágico! Amo muito você!
O outro presente, vocês têm que entrar aqui ó: http://epifaniasdeummenino.blogspot.com/
e ler! Eita presentão!!!
Rodrigo, desconcerto que conserta para sempre!
Amo você!
Beijo meu!

18/04/08

Analfabetismo

Hoje o post é sobre construção. A mais importante de todas. A construção do Saber. Estou aqui pela proposta de blogagem coletiva contra o analfabetismo. Atendendo aos apelos desse coração de Educadora vou tentar não cair no lugar comum, no entanto, fica impossível não comungar com Monteiro Lobato quando ele diz que: “ Um país se faz de homens e livros.”

Sou Educadora e amo muito o que faço. Nasci assim. (Educadora não se faz com o estudo, nasce com o coração apaixonado pela Educação, é genético.) Vivo assim. (Apesar da luta que é viver de Educação no Brasil.) E quero morrer Educadora.

Abril é um mês de reflexões diversas. Hoje dia do Livro Infantil. Dia 21, dia de pararmos e pensarmos a liberdade com Tiradentes. Então, diga lá uma coisa, há melhor solução para se construir um país livre, digno e justo do que despertar o prazer pela leitura que é capaz de alargar horizontes e transformar realidades?

Definitivamente, não!

Acabei de chegar da escola onde trabalho. Os alunos, entre outras atividades, apresentaram uma dramatização, lembrando a grande obra de Lobato, o Sítio do Pica Pau Amarelo. Mais do que isso, eles, que na grande maioria das vezes são desmotivados para a leitura, optando sempre pela facilidade e encanto sedutor da internet, mergulharam nesse universo vasto e questionar que nos foi legado por esse singular escritor e, de fato, leram diversas histórias e foram além. Pontuaram o que foi escrito com o que vivemos hoje.

Houve uma grande discussão sobre o analfabetismo. Sugerimos que cada um pense numa solução para que possamos levar luz à escuridão do desconhecimento pelas letras. (Posto depois o que sairá de tais cabecinhas.)

Estar numa escola, atuar nessa área é uma oportunidade ímpar de plantar pequenas sementes que, de forma efetiva, gerem frutos positivos para transformar o analfabetismo no Brasil. A EJA (Educação de Jovens e Adultos) é um exemplo de que cedo ou tarde, há tempo de plantar sonhos e com isso, colher cidadania.

Ao longo da minha vida de Educadora, venho semeando. Muita gente me acha utópica. Eu prefiro acreditar que é possível, de maneira simples, colher bons frutos.

Minha sugestão de combate ao analfabetismo é o engajamento de todos. Professores, médicos, advogados, donas de casa, enfim, cada um de nós fazer a sua parte. Ações voluntariadas do despertar para o letramento (mais do que ler é preciso interpretar o mundo e interagir nele).

Cada um pode se comprometer a ensinar o outro. Patrão alfabetizando e letrando o empregado. Criação de espaços de leitura nas empresas. Enfim, é preciso apenas fazer.

Ressalto aqui a iniciativa do poder público na capital mineira, onde os lotações estão providos de obras literárias (xerocadas e plastificadas) onde o cidadão pode apreciar uma boa leitura. Certamente, no mínimo, gera curiosidade em quem não é alfabetizado. Isso pode instigar, pode levar à busca de descobertas.

É isso aí! Simples assim!